terça-feira, 28 de agosto de 2012

História de Gregorio de Mattos !

Gregório de Mattos foi talvez o primeiro poeta brasileiro a usar seu talento para investir contra a incompetência, a corrupção e a arrogância dos governantes. Filho de família rica - seu pai era senhor de engenho na Bahia -, Gregório formou-se em Coimbra e retornou ao Brasil, em tese, para ser mais um integrante bem-posto da elite local. Mas virou o fio. Sem papas na língua, usando palavrões e recorrendo a imagens pesadas, não livrou a cara de ninguém na Bahia do final do século XVII.

O primeiro poema bate firme no então governador da Bahia, Antônio de Souza Meneses, o “Braço de Prata”, que comandou a capital da colônia de 1682 a 1684. Contra ele, o poeta não se limitou a lançar sátiras. Meteu-se em conspirações, ao lado da família Ravasco, à qual pertencia o padre Antônio Vieira. O segundo poema é posterior, de 1691, e critica a incompetência dos poderosos, tanto da Bahia quanto de Portugal, incapazes de tomar providências para debelar a fome que assolou a cidade naquele ano. No terceiro, quarto e quinto poemas, “Boca do Inferno” não poupa ninguém. Dirige sua verve contra a cidade inteira.

Não é de se espantar que tenha sido perseguido pelas autoridades, inclusive com a condenação ao degredo em Angola em 1694. Ficou pouco tempo por lá, mas nunca mais voltou à Bahia. Morreu no Recife, em 1696.
Para acessar outros poemas de Gregório de Mattos em versão eletrônica, vá até o site da Biblioteca Nacional . Ver também o romance “Boca do Inferno”, de Ana Miranda, Companhia das Letras, 1989.

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