O padre Antônio Vieira não foi apenas um eloqüente e brilhante pregador religioso, ligado aos problemas da fé da Igreja. Com igual talento, participava da vida política. Defendeu o partido dos portugueses contra os holandeses, condenou a escravidão dos índios, combateu a corrupção na administração colonial e advogou a tolerância religiosa em relação aos judeus. De um modo geral, mostrou-se sempre um pensador aberto e modernizante - salvo na questão da escravidão negra, que justificou com argumentos impressionantes.
No trecho do "Sermão XIV, na Bahia, a irmandade dos pretos de um engenho, em dia de São João Evangelista, ano de 1633", que se publica abaixo, Vieira conclama os negros a verem o lado bom da escravidão. Aquilo que parecia desterro e cativeiro, não era 'senão milagre - e grande milagre'. Se tivessem ficado na África, não teriam conhecido a palavra de Cristo com a mesma facilidade que no Brasil. Por outro lado, seus sofrimentos nos doces engenhos, que se assemelhavam ao inferno, aproximavam-nos de Deus. “Sois companheiros de Cristo nos mistérios dolorosos de sua Cruz; assim o sereis nos gloriosos de sua Ressurreição e Ascensão".
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